Na vida, estamos constantemente a tentar resolver situações difíceis: um conflito, uma preocupação, um mal-estar interno. No entanto, nem todas as soluções são realmente soluções. Algumas parecem ajudar no momento, mas acabam por criar novos problemas mais à frente. É o que podemos chamar de “soluções-problema”.
O que é uma solução-problema?
Uma solução-problema é uma resposta que, à primeira vista, alivia o desconforto, mas que, com o tempo, reforça o próprio ciclo que causa sofrimento. São estratégias que funcionam a curto prazo, mas bloqueiam o crescimento e aumentam a dificuldade a longo prazo.
Um exemplo clássico vem dos mecanismos de defesa — formas automáticas que a mente encontra para lidar com emoções difíceis. Se uma pessoa sente ansiedade ao sair de casa e decide evitar sair, essa escolha parece uma solução: o desconforto diminui, o corpo acalma. Mas, com o tempo, o isolamento cresce, a vida encolhe, e o medo aumenta. Aquilo que parecia uma solução tornou-se parte do problema.
Outros exemplos de soluções-problema:
- Evitar conversas difíceis para não criar conflito — e acabar preso em relações tensas e silenciosas.
- Trabalhar em excesso para fugir de emoções — e acabar em exaustão ou burnout.
- Controlar tudo para não sentir insegurança — e viver permanentemente em stress.
E o que é uma solução-solução?
Uma solução-solução é aquela que resolve a situação de forma sustentável, ainda que traga desconforto no início. É o tipo de escolha que nos aproxima de quem somos e amplia as possibilidades de vida.
No exemplo anterior, sair de casa apesar da ansiedade é uma solução-solução. Pode ser difícil no momento, mas abre espaço para a confiança, para o contacto com os outros e para a liberdade.
Soluções-solução exigem coragem, consciência e, muitas vezes, apoio. Implicam enfrentar a emoção em vez de a evitar, reconhecer o que dói e agir com intenção — não apenas com impulso.
Como distinguir uma da outra?
Uma forma simples de perceber é perguntar:
- Esta solução traz-me mais liberdade ou mais limitação?
- Amplia ou reduz o meu mundo?
- Ajuda-me a crescer ou apenas a não sentir?
Se a resposta for que alivia agora, mas fecha portas mais tarde, provavelmente é uma solução-problema.
Se, pelo contrário, abre espaço para algo mais autêntico e vivo — mesmo que doa no início — é uma solução-solução.
Em resumo
Nem toda a fuga é liberdade, nem todo o alívio é cura.
Diferenciar entre uma solução-solução e uma solução-problema é um passo essencial no caminho do autoconhecimento. É o que nos permite escolher transformar o sofrimento, em vez de apenas adiá-lo.
Um convite à reflexão
Talvez valha a pena parar por um momento e observar: que soluções tenho escolhido na minha vida? Quais me libertam — e quais me mantêm preso?
O processo terapêutico pode ajudar a reconhecer esses padrões e a encontrar caminhos mais conscientes e sustentáveis de lidar com o que dói. Às vezes, é preciso um espaço seguro para descobrir que, por trás de cada solução-problema, há uma tentativa legítima de proteção — e um desejo profundo de viver melhor.
Foto de Patrick Perkins na Unsplash


